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21/08/2020
Melina Capra
Eventos
ACOLHIDA EMOCIONAL

ACOLHIDA EMOCIONAL

Neste momento delicado que estamos vivendo, a saúde mental deve ser tratada como prioridade.

As privações são inúmeras: sonhos que foram postergados, expectativas que foram adiadas e um excesso de falta presente, o que demanda um trabalho psíquico bastante importante, afinal, não tem sido fácil lidar com a ausência daquilo que se esperava. 

Diante desse cenário, falar sobre as dificuldades encontradas e a dor vivida neste momento se faz essencial. E é assim que temos buscado nos aproximar, de maneira cuidadosa e respeitando a singularidade e o desejo de cada um dos nossos estudantes, para ouvi-los, para acolhê-los, para orientá-los neste período de incertezas, medos e frustrações. 

Oferecer espaços de escuta e mostrar-se disponível tem sido nosso principal combustível para atravessar a distância que, necessariamente, nos foi imposta. Poder pensar para além do acadêmico e dos desafios disciplinares que aparecem, lembrando que, antes de estudantes, são sujeitos em formação e que nós temos o dever e uma grande responsabilidade em cuidar disso junto à parceria das famílias.

Ainda não sabemos ao certo quando retornaremos, mas já estamos cuidando dos receios que têm aparecido pelos nossos estudantes e dos desafios que surgirão com a novidade da aproximação. Permitir que os estudantes possam falar, apontar e dizer o que pensam sobre o retorno nos dá possibilidade para trabalharmos tais sentimentos e receios, independentemente de qual seja o posicionamento deles quanto à retomada das aulas presenciais. Outra ação que vem sendo realizada é a “Rede de Apoio” que tem como objetivo fazer um mapeamento dos estudantes que perderam alguém próximo ou que estão com dificuldades de lidar com os desafios do momento e oferecer a eles uma escuta individual sobre o momento, entender que tipo de ajuda eles estão precisando e fazer os possíveis (e necessários) encaminhamentos específicos, pensados para cada caso, sejam eles de ordem psíquica ou até financeira.

Além disso, enquanto nos mantemos na espera do olho no olho e das tantas brincadeiras do intervalo - e que isso possa se dar de maneira segura e confortável - seguimos planejando como nos encontraremos nesta nova maneira de convivermos. Será um aprendizado e um imenso desafio para todos nós nos relacionarmos sem o toque e com um aborrecedor, mas necessário distanciamento. As bocas continuarão cobertas por esse essencial objeto que nos tem permitido circular evitando o risco, mas seguiremos com os olhos abertos e despertos à espera do abraço e do encontro sem amarras. 

Enfim, que possamos enxergar, esperançosos mas cuidadosos, que enquanto seguirmos sem solução para a derrubada do vírus, cada um de nós tem um papel fundamental na rede de convivência escolar. A responsabilidade é de todos nós, o compromisso de cuidado consigo e com o outro segue sendo de cada um de nós.


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