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13/07/21
Beatriz Polidori
Arte
Arte na primeira infância: ampliar horizontes

Arte na primeira infância: ampliar horizontes

Dar espaço para uma infância plena é, necessariamente, permitir que o olhar encontre afago.

As crianças não deixam as sutilezas passarem despercebidas. Observam com atenção, fabulam histórias, imaginam maravilhas. É no tempo da infância que as invenções mais genuínas encontram terreno para brotar. Não há limites para o que vem da imaginação. Nem mesmo as leis da física podem impedi-las de voar ou de sentir que o ar se transformou em oceano. 

    Artistas e crianças trilham caminhos convergentes. Encontram-se  nas múltiplas maneiras de expressar o que têm de mais latente em seus interiores. Rasgar, juntar, recortar, colar, rabiscar, construir, desmontar, equilibrar, desequilibrar, enrolar, cutucar, aglomerar. São tantos os verbos de ação que transitam entre a infância e a arte. 

No entanto, não basta ser infante num mundo de ouvidos e olhos vendados, é preciso ter espaço para viver esse tempo tão único e de relevância duradoura. A escuta das complexas elaborações dos pequenos e pequenas é papel fundamental do educador. Há de se dar voz às crianças e aos seus pensamentos. Como disse Fátima Freire (2008, p.36), “sem escuta não há diálogo. O diálogo requer troca, requer espaço interno, curiosidade amorosa e disponibilidade para o outro.”.

Quando o sensível ganha espaço nas entranhas do ambiente escolar, o protagonismo da infância toma a roda do leme em suas mãos e navega em águas, ora calmas, ora tempestuosas, ora límpidas, ora turvas. 

    “As crianças trazem questões de suas vidas em seus trabalhos de arte. Muitas vezes, desenham e pintam contando histórias, misturando super-herói com pai, com vizinho. A escola pode ser espaço para construir e reconstruir o mundo, poder falar sobre a vida e se sentir pertencente a essa comunidade, logo, livre para se expressar. Essa ampliação de campo significa ampliar os horizontes.” (BARBIERI, 2017, p.27). 

 

    

Nas imagens acima, o protagonismo dos pequenos é vontade, é emoção. Quando a produção artística contemporânea é transformada em contexto de investigação, a criança se encontra com o que lhe faz muito sentido: o não óbvio. Nesse lugar, o extraordinário acontece. A ação não se limita somente ao fazer para saber fazer, mas ao fazer para experimentar e testar movimentos, limites, alturas, tensão, afrouxamento, e tantas outras importâncias do viver infância 

    Uma pena encontrada no jardim da escola foi transformada em navio. Anne tomou a roda do leme em suas mãos, e navegou em sua imaginação criadora.

    Na Educação Infantil do AZ Internacional, a arte pulsa junto às invencionices inusitadas e maravilhosas de cada criança. Num vento cheiroso que carrega bolinhas de algodão doce ou na chuva que leva joaninhas para passear na montanha, a arte é o SER criança.

 

Referências:

BARBIERI, Stela. Interações: onde está a arte na infância? São Paulo: Blucher, 2017.

DOWBOR, Fátima Freire. Quem educa marca o corpo do outro. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008.

 

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